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p £ fe acafo oamor de hum Deos, tad go de feramado , nad move a V.M. para wr as {uas. culpas, e nado obriga a emen- ao menos feja freyo daiua vida o Divina Juftica. We filho, G tem Deos condenado ao in- as almas Com menos peccados do q comettido : e G fem lhe fazer aggra- le podiatirar a vida logo quando peccou, itallo no inferno; eG feriade v.m. fe lhe defle ta6 infelis {6rte ! Se nefta vida nad le fofrer hum {6 dedo na chama de hfia por hum breve efpago detempo, G faria naquelles efcuros calabougos carregado ferros, e cadeyas de fogo, todo envalto rorazes chammas, raivando eternamente fome, ¢ fede, fem outro refrigerio deco- 3, nem bebida, fenad chumbo fervendo, e etretido, cercado de agudiffimas dores, e ftado com todas as enfermidades, nad } mais cama, em g rapoufar, que hiia tari- s ferro em braza, e atormentado com ou- § muitas atrociflimas penas? Eo g mais he, ido para fempre da prefenga de Deos, fem franca de o ver por toda aeternidade ? To- eftas penas tem v.m. merecido por fuas pas: e em que merecia v.m. que Deos lhe fe lugar para confeffar-fe, quando o tem pado atantos? Antes odefmerecia tanto ais, quanto era mais atrozes as fuas culpas, Mais repetidos os feus peccados, is '8 Nad feria, pois, fummaloucura, meter- vm. outra vez em rifco de G Deos conde- §, fe mallograr efte lance, e fe nad fe apro- ta defta occafia6 ? Saiba, filho , § o peccar ero determinado , e G Deos tem affi- ada hum o numero dos peccados, que Ppermittir; a huns.quatro_, a outros itros vinte , aoutros cem, ou mil, &c. r te numero, como a vontade de Deos irevogavel , e immutaveis os feus Decre- skecuta logo o es naquella alma: v.m. fabe quantos peccados lhe hade permittir , ignora onumero, ga fua Divina permif- he tem determinado , e pdde fer lhe falte 6 peccado para encher o feu numero;e hega aencher, difgragada a fuaalma, era infalive)’a fua condenaga6 eterna. | ) Diga-me , filho: que proveito tira de wa Deos? eftenda os olhos a toda afua sos feus goftos paflados, e diga-me: que dade tem tirado delles? Em que fe tornd- 0s feus deleites? Tudo fe paffou, eacabou am momento ; e tambem fe acabardoG eita de vida , como fe acabou o tempo, até agora viveu : pois nad he grande dif- ite. perder a fua alma para fempre , por cou- }monientaneas , tad vis , e tranfitorias,, ao breves, e inconftantes ? Veja que he coufa oan ' vel aver de penar para fempre ; ¢ he fatt. 4. Ris ses wines ci aed EIA IST Sy “AAAI AU0 DES he REA IT. Exhortac¢ad, g o Conf hade fazer ao penit. idendo fer que <r ‘ ) 172 ande loucura , por hum gofto, que apenas i hum infant haves de arder entre pai zes chammas, naé hum anno, nem dés, nem mil, nem milhares de annos, mas fim pata fempre, por todaaeternidade. Compare v. m. a fummabrevidade dos de- leites terrenos , e conveniencias temporaes., com a duragaé fem medida de hfiaeternidade, e veja fe he jufto, e racionavel aventurar hia eternidade de taé penofos males, por bens tad leves? Faga reflexaé, filho, no que digo: olhe q he verdade certa, e de fé, G efta vida fe hade aca- bar ; advirta, G hade chegar dia, e hora, em que v.m.acabe com efta vida: repare , que enta6 amargard muito a fua alma a pirola daculpa, que agora lhe propoem.o demonio , paliada, e cuberta com a prata apparente do gofto, e conveniencia. v F E quando v.m. chegar a hora de morrer, que daria entaé por naé ter peccado ? Agoratem v.m. tempo, e occafia6 oportuna para mor- rer confolado , e fe a mallogra , poder faltar- the quando a bufcar. 10 Olhe, filho, g efta vida he inconftantese fe agora efta v.m. com vida, pdde fer que o naG efteja 4 manha : de muitos terd ouvido dizer, G morréraé de repente, fem poder confeflar*fe.: o mefimo péde fucceder a v.m. pois nad tem efcrita de Deos noffo Senhor de q morrerd cd confiflaé ; e aindaq o.tivera, de muitos fabe- mos, g fe condendta6, confeflados , e cé6mun- gados na enfermidade ; porque quem vive mal, péde Deos permittir , Gao morrer na6 fe con feffe bem , em caftigo dos feus peccados. Se efte chad fora de vidro , e debaixo delle eftivera hiia fornalha de vivas chamas de fogo, atreverfe-hia v. m. a paflear fobre efte vidro ? He certo que nad‘; porque prudentemente re- cearia, que fe quebrafle o vidro, e que défle com o feu corpo naquellas chammas. 11 Na6dha vidro ta6 fragil como a vida do homem : debaixo da vida eft4 o profundo in- ferno cheyo de horriveis chammas : como fe atreverd v. m. a paflear fobre efte fragil vidro da vida, com o pefo das culpas, fem recear que fe quebre o vidro , e fem temor de cair na cova profundado inferno? Procure pois, filho meu, por {ua vida ,emen+ dar-fe ; que fe v.m. o fizer affim,, terd hfia vida com muita confolacgaé. Huma peffoa,; que vi- ve em fervico de Deos , nem fe afflige com 0 temor da morte , open Me dd pesatel ae al- uma defta vida ; porém quem vive em peccar o, como he poffivel alegrarfe dewéras, faben- do que delle ao inferno nad femete de per- meyo mais que a refpiragad de hum vital alen- to ? Como pdde dormir com defeanfo aquel- le, que fe encofta gtavado com a culpa, por 12 Bj

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