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>< 9 que devia , e tinha obrigagad de ihe: ev véra efta doutrina com alguma li- ‘em cafo, que o devedor feja pa- amigo do acreédor ; ou que feja pef- , que prudentemente fe prefuma do or, que ters abem. que odevedor di- mum tanto a paga; e entad nao ferd 9 dillatalla; porque o furto, ou reten- eyo em tanto he culpavel, em quan- .ontra a vontade racionavel do dono, sto he, que importa muito que o Con- ie amaO amuitas peffoas, que anos fem fatisfazer as {uas- obri- cumprir teftamentos, Milas, ¢ ou- , nao lhe faltando dinheiro para oftentagad , jogos , banquetes, e ou- ;e {6 para comprirem as obriga- eten, the faltaG os theyos de mo- exceflos, e eftes devem viver mais nte paratratarem de pagar , e quando dallos fem os abfolver. CAPITULO XIL tagad aos que furtad ,e nad pagad. : S E bem he verdade , que 0 pecca- dor na6 recebe utilidade alguma s§ peccados, que comette , fenad muitos Wisos; comtudo , o furto he menos provei- i my ty% pfo que os mais péccados; porque fend ifa a obrigagaé de reftiruir 0 que {e furtay he jucura conhecida o furtar. O vicio de furtar emuito vil, e alheyo de hfia peffoa de bem , oprio de gente malevola. Eo princi- tudo hea offenfa de Deos , que priva fua amifade, e do direito, que como » mefmo Deos tem a Gloria: e he defatino querer perder a Gloria eter- por hum intereffe terreno,e fazer mais rego dos bens caducos, do que da eterna smaventuranga. r | /Que coufa fad os bens da terra, fe nad hum ouco de ee po, enada? Os intereffes, o inheiro, a fazenda, em que inutilmente fe ende o affecto , {6 fa6 humas cadeyas, que lagad o coraga6, humas prifoens , que pren- em o animo : {a6 Ima carga pefada , que o- ime o homem , € 0 trazem inquieto como dado de os adquirir,e cuidadofo coma bica de os nao perder » © com as ancias de jumentar :a liberdade do animo , que hea fa mais eftimavel, e que Vale mais que 'to- © ouro, tem o avarento miferavelmente ivo,e fendo efcravo do feu mefmo cabe- Stem huma vida , que na6 he vida, fena6 porque tem huma perpetua motte ci- Ma efcravidaG , com que o feu peito eftd mente apegado ao interefle , em ai ue tyranamente hade fer at i Jn zs ap. XIII. Exhorta¢as aos que fuitad, ehad,pazad. sig tado na hora'da‘ morte vendo-fe: défpojado da fazenda , quecam tanto cuidado procurou adquirir em fua vida! Dize‘meyhometn : has- de levar defta vida mais que hima 'trifte mor- talha? HaGde defenderte dos agudos fivs da morte os bens caducos ¢ Prefumes‘atafo , que aflim como nos Tribunaes ‘humanos‘coftturiva vender-fe.a juftiga por dinheiro ; te haGde dar boin defpacho no recto Tribunal'de Deos os teus interefles ? che ages Levanta os olhos a0 Ceo, e leva of teus penfamentos ao alto } feja6 os teus altos alen+ tos , Chrifta6 , mais generofos: repata que (6 na Gloria fe gozaG as riquezas mais verdadei- ras : Gloria, divitie in domo ejus. Pfalm.3rt. Ali fe gofa a fineza do ouro mais puro; a pure- za da prata mais luzida; o prego:das perolas mais eftimaveis; e emfim a fumma dos thefoli- ‘fos mais ricos, e qué mais fe podem defejar; a- quelles bens {a6 duraveis , firmes , permanen- tes, e eternos: naé affligem, nad prendem, nad fatigad , nad fervem a alma de pefo, fenad de alivio , de regalo , de docura , de confolagad, de fuavidade , e de delicia: na6 trazem com- figo os cuidados, os receyos, os perigos, os fuitos , que trazem os bens terrenos defte mi- feravel mundo. ’ He grande loucura fazer tanto apreco defte teireno; e caduco, e fazer ta6 pouca eftimagad do eterno. Grande defatino he pdr tanto dif- vello em amontoar nefta mortal vida interef- fes , que’acaba6,e na6 cuidar em adquirir al- gum cabedal para a Gloria; e coufa mais lamé- tavel atropelatos foros da jultiga , furtando, -roubando, fem pagar, nem fatisfazer, nem tra- “tar de reftituir ; querendo perder as celeftiaes Tiquezas, por naO dar a cada hum o que fe lhe deve, e fe Ihe tem ufurpado. He muito para fentir querer perder a amifa- de de hum Devs, que pdde caftigar com hum fogo eterno , e premiar com huma immortal coroa, pot na6é querer defapegar de fi hum in- terefle limitado.: deixe efla fatal cegueita, pro- cure folicitar o remedio da fua alma, reftituin- _ do , e pagando o quetem de obrigagad. Trate de reftituir 0 G deve,porg fernaé refti- tlie, podendg, nad Ihe perdoard Deos; e naé fe vd ‘tlatanddte hi dia para outrordia, por de- pois ferd muito difficultofo de reftituir ; dog ferd abonada teftemunha o exemplo feguinte, 218 Havia em certo Lugar hum homem ti- co A cufta das fazendas alheyas: chegou.a ulti- ma enfermidade , e por na6 o obrigarem a te- ftituir o mal adguirido , na6 queria confeflar- fe. O'Medico, que'o vifitava, era homem bom Chriftad , e the aconfelhava , que reftituiffe o alheyo: o enfermo ref pondia : E meus ‘fi- lhos; e mulher haddeficar Ma rua? ‘Repli- ‘cou 0 Medico : Porventura, {ua mulher, e fi- ‘Thos hadde tirarav.m. doinferno? Refpddeo o O02” enfer-

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