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dos bens paternos, ent I52 P. Sim, Padre; porque fempre me tratou com muito carinho. 2 ob aD GC, Aindaque o direito irrita comummen- te a doacad , que o pay faz 4o filho; comtu- do, mori o pay, fe confirma a dita doagaé, fe a foma da tal doagaG nao excede o que per- mittem as leys municipaes. Em alguns Rey- nos, pela muita liberdade,. que haem mate- ria de teltamentos, ha menos difficuldsade ne- fta materia. Porém fe v.m. fe perfuade do af- fecto particular, que feu pay lhe tinha, que lhe havia de perdoar effes cincoenta cruza- dos , fica vy. m. defobrigado da reftituicad. Devem os Céfeffores notar muito efta dou- trina, para alguns fobrinhos , que tomdraé al- gumas coufas meudas a feus tios, é os irmaos menores aos mayores ; dos quaes fe prefaume prudentemente que Ihe perdoariaé eftas cou- fas, fe foubeflem que elles Ihas tinhad furtado ; € que na6 foraé os ditos tios’, e irmaos mayo- res invitos em quanto 4 fubftancia, fenaé {6- mente em quanto ao modo; e por ter faltado nifto, ferd peccado venial. 183 Huma limitagaé péde ter efta doutri- na; e he aque proponho nelta pergunta. Di- game: Effes cincoenta cruzados , que v. m. tomou , e prefume que feu pay lhe havia de perdoar, fazia6 falta afeus irmaos, ou irmas, para o feu commodo decente ? Porque o pay nao pode fazer femelhantes condonacoens com detrimento dos alimentos , € dote dos’ mais filhos. ‘ P. Padre, nad obftante os cincoenta cruza- dos, ficava para meus irmaos baflante er dio, € decente dote.. Porém como meu pay difpoz no feu teftamento, que os filhos entraf- femos todos igualmente na fua fazenda, te- nho efcrupulo fe devo eu computar na mi-' nha parte os cincoenta cruzados ig é _C.. Ilo naé obfta para. v. m. poder entrar igualmente cam feus irmaos, quando praden- temente prefume que feu pay Ihe perdoaria - Os taes cincoenta cruzados; porque fuppofta efta doagad prefumida , feria vontade do pay, ye os filhos entraflem todos igualmente no ee . ai bens. : ‘ 184 . Porém para mayor feguranca, diga- te: v.m, fabe que fens ee Man tarbee -omado alguma coufa dos bens paternos ? ' P. Padre, tenho por certo, que tomdrad Outro tahto, ou mais do« hum procurava langar ma6 do que podia. * C. Se elles nad defeont aoe 1c s rando igualmente na heranga dos taes bens, pé dev. . fazer o mef- mo. Fagund. in7. Decal. lib. 7.cap.3.".6. He fa, que de ordinario coftuma fucceder en- Hace filhosfamilias ; orque huns, e outros Goftumasd furtar de cafa de feus paysitrigo , a- zeite , vinho , ¢ outras coufas ; e quando en- Tratado VII. do VIE. Mandamento. ‘feu pay? « fecundo em tratos , e contratos. eeu; porque cada tao.oO que furtdraG bide ag tra0 na divifaG ds fuzenda , cada hum calla sae em jufta recompenta do damno, que fizerae huns aos outros, nad fazem mencaé doguan cada qual delles tem furtado: € os pays, come. ja dicemos , [6 coftumadé fer invitos em quan. to ao modo, quando 0 que os filhos the furtage he para gaftarem em coufas de feu ufo util ee em outras coufas femeihantes. & 185 Porém ainda com mais, fegurane pode ajuftar efla quantia ; para o que he ceflario faber fev. m. fervio algum tem P. Sim, Padre: fervia meu pay quatroat nos ; ecom o meu trabalho, e fervigo thet cufava hum criado. C. Seu pay pagou-lhe effe fervigo ? -P.'Na6, Padre ; naé me deu mais que og: limeptos , como aos mais filhos. <i C. Por effe titulo podia v.m. ficar com en fes cincoenta cruzados; porque he opiniagy” commua, que0 filhofamilias péde pedir a fe. pay, a quem ferve, o eltipendio, que havia da dar a hum ctiado, que o ferviffe, como o fifa ferve; ¢ feo filho na6 fe atreve a pedir ifto age ay por temor reverencial , ou porque o pay” nao lho hade dar , poderd o filho recompense” far-fe occultamente, Laym. 4b.3.t7r.4.cap 8a 12. € Moya in fellect.tr.6.mifcelan.di/p. 4. qty n. 2. §.com a opinias commua, ae *'186 P. Padre, dccufo-me, que tambem fem confentimento de meu pay gaftei vinte crus” zados , que em dinheiro me deixou outro pa rente meu pela patte materna, -.C. Effe parente deixou the effe dinheird® por intuito, ¢ caufa de fua may? “ie ~ P: Sim, Padre. = ~ C, Para dar folugaG a efte cafo, noto , que ha trez generos de frutos: huns puramente = naturaes, outros mixtos, ¢ outros induftriaegg Os frutos naturaes {a6 os que pruduz a tetra fem cultura humana , v. g. ervas dos prados plantas dos mattos, &c. os mixtos fa6 os que terra ptuduz ajudada da cooperagad , @ cule tura dos homens : v, g: os frutos das vinhas, cearas, aluguer de cafas , e animaes, &c. Of frutos induftriaes {a6 os que {mente proce dem da ihduftria humana; e naé da fectidid da coufa, v.g. odinheiro, que he de fua natu= reza infrutifero, e a indultria humana o faz ey: 187 Noto mais, que efte dinheiro, que ¥, mi. recebeo, fe reputa entre os bens adventici- os, pelo ter v.m.adquiti intuito, € occas fiaé de fua may, Dogar €, que. podig v. m. licitamente, é€ t aggravo a fey pay , gaftar efle di confentimentay feu; porque nos. mticios tem o pay {6 0 ufofruto, eafilho temo dominio dires” to: atqué no dinheiro na6 pode haver u fruto, por fer de natureza itftutitero ; | Bee t ; -

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