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TRATADO CA PA.T Uh Our... - Do Furto, e da quantidade, que conflitue pecca- 1 ¢ Upponho que o furtoeff occulta re: S olin alae, invito rationabiliter domino. E chama-fe occulta , p ra differenca da rapina, porque efta fe faz a vifta do dono -da coufa, e com violencia, como diremos 10 Cap. 3. Porem oO furto fe faz occultamen- te, fem que o veja o dono da coufa. Tam- bem fe diz rei alien, porque na6 he fur- to, quando cada hum toma aquillo, que he feu; como quando algum recobra aquillo, que the tinhaé furtado’, ou quando faz ju- fta recompenfa do.que fe lhe deve ; pois ne- ftes cafos naé comette furto , porque toma a caufa, que he fua., e nad alheya. Diz-fe ablatio , e naO damuificatio , porque aindaque todo o furto he damnificagad , nem todaa »adamnificagaé he furto; v.g. aquelle, que quei- ' ma, ou deftr6e huma fazenda alheya, nad furta, poftoque damnifica. Diz-fe invito do- wino , porque nao he furto tomar a coufa com confentimento de feu dono ;e para fer farto he precifo que feja contra vontade do dono da coufa:e ifto péde fucceder de dous- modos ; porque péde o dono fer involun- tario em quanto: a fubftaucia da coufa furta- da, ou em quanto ao, modo: ferd invo- luntario em quanto a-fubftaticia,; quando nad uer, nem he fua vontade que lhe tomema _ fua fazenda ; e ferdinvoluntario em quanto ao modo , quando confentira ‘que lhe;to- maflem a‘coufa,»porém a6 quer que tha tomem fem fua licenga; ‘verb. grat. hum pay de familias , que dariaalgum dinhei- ro a feu filho,’ fatelis) thoipedidle sepbrech nad quer que:o:filho o tome: fem fua‘li- cenga. Quando o dono:ida coufa furtada furto , e peccado ve ,e ha obrigaga6, de reftituins porém'quan- do nad he involuntgrio. ear guanto 4 fabftan- cia, fenad em quanto ao modo,:he {6 pecca: do venial ,e nad ha obrigacaddeteftituir, ... Finalmente fe diz, invitalrationabiliter , para fignificar que aindaque-o dono. da coufa nad convem em que Iha tomem., fe a‘fua refiftencia he irracionaveli, a6 ferd furto tomar atal coufa: v.g. quando hum em‘ex- _ trema »neceffidade: toma huma Confa , aiiida- que 0 dono delia o leve'amal }.na6 ferd nto, porque neffe cafo, nad he invite ratio nabiliter. Faz Pedro huma jufta recompen- fa des bens de Joad , o qual he,nifto involun: eee comette furto; porque ainda art. . ee ¢ Cap. I. do firt6: 22TH | Vil. DO VI. MANDAMENTO. — 4 Nad furtards. kare honra he involuntatio em quanto,a {ubftancia,;he -. Por oO mortal, fendo:materia gra- yidade da: materia; e)aquelle ,. que podéra {ap eee re o . a oe ae = ee Te ’ eee < : ae > 5 ae a " oh ek PS r F que Joad he involudtario,nad o he racionavel- mente, ‘Loma huma mulher a feumaridoa- quillo , que elle na6 Ihe quer dar, fendo ne- — ceilario para o gafto precifo da familia da cafa; naO comette furto,, porque aindag o marido feja involuntario , nad o he racionavelmente. 2 Supponho tambem que no furto fe a- cha6 dous aggravos ; hum, que fe faz a Deos, quebrantando a, fua fanta'Ley, que prohibe’ O furtan;, outro, que fe faz ao proximo, to-) mando-the a fua fazenda. O aggravo, que fe. faz a:Deos pelo furto>,hade fer refarcido. pela confillas, e penitencia;'e o aggravo, que {e-faz ao proximo:, ‘hade fer refarcido com a:reftituigad ; e nad baita confeffar.a culpa, fe nad {fe reftittie , podendo ; nem fe fatisfaz {6 com reftituic, fe na6 fe confefla: oO peccado. Fago efta advertencia, porque fe. tem achado alguns ignorantes , que chidaé, ’ que com reftituir cumpremya fua obrigagad, aindaque na6 confeflemo peecadodo-furto : € outros imaginad que cumprem com acon-: filfa6 , aindaque nao reftitiad ; outros tem havido. tambem, que tem para fi, que nad tem obrigacad de conteflar o peccadodorfurto ; fer na6 pdédem reftitnir: e fa6 por certo, bem: culpaveis eftasignorancias. © 9 3 O Furto he de fua attiebaipdrcadt “mortal; edppoftoa ivirtude da juftiga ; po- rém he o menos grave entre os; peccados , que fe commettem contra’ o proximo ; por- a 0 aggtavo , quefeitaz ao proximo com.o . furto, he menor qué o que fe lhé faz'com a detracg26 , contumelia, mutilagad ,, percuf> {a6 , ou homicidio ; po com eftes 'fe‘of- fende a fama, honra ;daude, ow vida do pro- ximo; e com o furto {6 fe faz damno na fa+ zenda.,;que he de‘ménor prego que 4 fama, fauide, ou vidas ricish cs oho: -aindaque ‘oofurto he pectado mor- tal de fua natureza’, pode fer venial pela par- r venial pela parvidade da: materia ;, pode, fer moxtal’, pela gravidade do dano,,que caus fa> vig. uando fe-furta'a hun pobre offi- ‘cial ‘0 cinftrumento ido feu officfo , como aa Alfayate-as agulhas,,;com que havia de.cozery - é pot efta caufa, naé péde trabalhar,-e petde os feus jornaes’ ¢ aindaque efte furtopodéra — fer peccado venial , pela parvidade da materia, fer4 mortal, pela gravidade do dao, que cau- — fa, Como’,e porque caufas o- peccado veniat de fua gatureza pafla accidentalmente a fer mortal, fe pode ver nas Conferencias tr. 2. Sed. 4. confer.r. 4 num, y. eno mefmo lugar fe pode yer como.o ers mortal de fua a4 natu: 109

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